O termo é recorrente e soa moderno, mas seu histórico aponta para o século XIX. O surgimento do marketing de influência não está ligado às mídias sociais, embora automaticamente pensemos no relacionamento com influenciadores digitais. Exercemos influência sobre outras pessoas desde o início dos tempos. Alguns pela liderança, outros pelo carisma.

O conceito é simples: um influenciador é uma pessoa cujas opiniões são consideradas confiáveis por aqueles que a ouvem e/ou leem. Naturalmente, as empresas se aproveitaram para associar suas marcas a essas pessoas. Afinal, confiabilidade representa mais vendas, maior awareness e melhor branding.

 

As marcas e o relacionamento com influenciadores

É normal observarmos hoje que, assim que um influenceraponta o produto “x” como positivo, uma legião de fãs toma tal afirmação como verdade. Fato consumado! Esta lógica, no entanto, nem sempre foi tão natural. Longe disso! Praticamente todos os especialistas e analistas de marketing apontam 1890 como o ano do surgimento do marketing de influência. Ou seja, essa “lógica” do mercado realmente faz sentido há cerca de 130 anos.

A empresa norte-americana Randolph Truett (R. T.) Davis Milling Company foi, supostamente, pioneira neste aspecto. Após a aquisição da marca de mistura de panquecas Aunt Jemima em 1890, a R. T. Davis Milling contratou Nancy Green como personagem publicitária para representar a marca. Mas quem era Nancy Green? Tratava-se de uma mulher negra, ex-escrava, com mais de 50 anos. Totalmente revolucionário para a época.

Após marcar presença em uma exposição realizada em Chicago, em 1893, sua personalidade amigável e visão tão positiva dos visitantes rendeu a Green um contrato vitalício com a marca. Por conta do aumento das vendas ano após ano, a ex-escrava representaria a Aunt Jemima até o fim de sua vida. A partir daí, diversas outras empresas passaram a conectar suas marcas não somente a pessoas, mas também a personagens. Este teria sido apenas o primeiro passo para as organizações rumo ao relacionamento com influenciadores.

 

O passo seguinte no relacionamento com influenciadores

O relacionamento com influenciadores nasceu a partir de Nancy Green como Aunt Jemima e foi muito além. As décadas de 1920 e 1930 viram a Disney associar sua marca a Mickey Mouse e a Coca-Cola, ao Papai Noel. Depois, vieram ainda Tony, o tigre dos sucrilhos Kellogg’s, e o palhaço Ronald McDonald, da rede McDonald’s. Tornaram-se exemplos concretos, inclusive, para as aulas de português dadas nas escolas brasileiras. As “mascotes” das marcas são exemplos de uma das figuras de linguagem mais tradicionais da língua portuguesa, a metonímia. A parte passou a representar o todo. Os influencers começaram a se misturar com as próprias marcas e os próprios produtos.

Exemplos práticos no Brasil? Citamos dois nomes: Carlos Moreno e Sebastian Fonseca. O primeiro foi o garoto-propaganda da Bombril por quase 40 anos. O segundo representou a C&A por mais de duas décadas. Aposto que só de mencionar as marcas, você já deve se lembrar do rosto de ambos. E consegue fazer o caminho contrário também – ao ver o rosto de ambos, lembra diretamente das empresas.

Casos clássicos de um excelente relacionamento com influenciadores. Por parte tanto das empresas, que exploravam muito bem suas marcas, quanto dos públicos, que se viam representados e esperavam sempre pela próxima propaganda de ambas as empresas. São dois exemplos, mas estão longes de serem os únicos casos. E o baixinho de bigode da Kaiser? E quanto a Fabiano Augusto e seu lendário bordão “Quer pagar quanto?”, para as Casas Bahia? E não pense que hoje em dia a prática não mais “funciona”. Se duvidar, pergunta lá no Posto Ipiranga.

 

A lógica atual do relacionamento com influenciadores

Ainda assim, o famoso garoto-propaganda da Ipiranga é uma exceção nos dias de hoje. As marcas têm procurado promover sua interação de outra forma, por meio das redes sociais. A evolução do marketing de influência tornou-se mais analítica. Não é meramente operacional. As empresas agora direcionam suas marcas exatamente para a segmentação que desejam. A base é o público-alvo e o engajamento conquistado.

Um exemplo é a Fanta, que conectou sua marca a famosos YouTubers, dando início a uma série de episódios em um “reality show” no YouTube. A empresa trouxe Caju, Christian Figueiredo, Gusta, Haru, Malena, Poladoful, Pyong Lee e T3ddy. O foco? Aumentar a visibilidade da marca com pessoas jovens – e consequentemente, as vendas.

Essa nova relação com as mídias sociais foi uma quebra de paradigma para o mercado publicitário, que sempre esteve acostumado a uma tabela de preços. As propagandas perderam força, enquanto redes sociais como Facebook e Instagram têm, crescentemente, servido como base para a decisão dos consumidores. Menos pessoas têm assistido TV e os usuários têm instalado cada vez mais bloqueadores de anúncios. Por isso, a originalidade e a inovação das marcas são destaques nos dias atuais, para aumentar o engajamento com seu público-alvo.

E como elas executam? Algumas empresas enviam o conteúdo como deve ser postado exatamente, enquanto outras dão liberdade aos influencers para produzirem de forma espontânea. O relacionamento com influenciadores mudou. Além do respeito que deve ser mantido durante a negociação, é importante manter o influencer próximo à marca pós-fechamento da negociação.

Quanto mais natural e positivo o relacionamento com influenciadores, melhor para as empresas. Afinal, maior autenticidade as publicações terão e, provavelmente, maior engajamento irão gerar. E é aí que as marcas esfregam as mãos, pois isso provavelmente representará um crescimento das vendas ou maior awareness. Depende do objetivo buscado.

 

Fonte: VIANEWS.

Publicado por conrerp5 em 14 - julho - 2019 Notícias

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